“Colhe as flores que puderes!” foi o poema ponto de partida para a Yarn Bomb do Lavorada 2022. Uma metáfora que exorta as pessoas a reconhecerem todas as coisas boas da vida e a colherem em cada uma delas a alegria do dia a dia. Um carpe diem na construção da felicidade e de si mesmo, vivendo a vida em plenitude a partir de si para o exterior. Uma Yarn Bomb colaborativa, um projeto em crochet que juntou uma dezena de mulheres e fez crescer canteiros de flores de “cores vibrantes”, um jardim “arco-íris de alegrias” e que poderá ser visto no Jardim da Biblioteca Municipal Rocha Peixoto até que o tempo a leve…
Passado o excesso de emoção de um dia feito com paixão, regresso à racionalidade para analisar o que correu bem, o que foi menos bem ou menos bom, o que se poderia ter feito, o que se fez, o que falhou, o que esteve perfeito. Mas isso não vou fazer aqui, neste texto, claro. Aqui, venho agradecer! Agradecer a todos os que tornaram possível o Lavorada 2022. O projeto é meu, mas sozinha não sairia da minha cabeça.
Durante o dia do Lavorada, 18 de junho, propomos aos participantes do festival que façam o registo desse dia magnífico e que partilhem as suas fotografias com a hashtag #instalavorada2022 Claro que esta participação terá de ter olho atento e procurar os melhores ângulos dos lavores, eles são fotogénicos, mas gostam de aparecer sempre bem na fotografia. O pormenor de um ponto especial, as mãos que trabalham, fios que se entrelaçam, convívios de agulhas, aquela perspectiva cónica que mostra toda a festa que vamos fazer neste dia, a yarn bomb... Inspira-te e participa.
O grande salgueiro do jardim da Biblioteca Municipal é, por si só, ponto central, grande árvore para onde convergem todos os olhares. O tronco ideal para receber uma yarn bomb, tal como ficou provado na edição do ano passado do nosso Lavorada. Foi estrela, símbolo do festival com o seu revestimento de linha em forma de crochet, nas suas variadas e alegres cores condizentes com o espírito de alegria e festa que se quer para este encontro dos lavores.
Em 1999, com o seu livro-manifesto “Stitch n’ Bitch Nation”, Debbie Stoller iniciou mais um movimento feminista que pretendia afirmar o lugar da mulher, não dando a esta a possibilidade de entrar na esfera do espaço masculino, mas, precisamente, afirmando o lugar do espaço feminino e abrindo-o e trazendo-o para o espaço público. Os encontros de tricot multiplicaram-se e em cada momento da vida quotidiana era momento de tirar as agulhas do saco e tricotar, em público.
Melhor do que um encontro para tricotar, só um passeio para tricotar, Não acham? Depois do super cool workshop A Agulha Vai Torta, a malta resolveu elevar a fasquia e fazer com que a agulha, apesar de torta, chegasse ao Douro. Os dias crescem, os primeiros rebentos das vinhas já brotam e o Douro é região que merece ser visitada e desfrutada. Se é para dar às agulhas bebendo um bom vinho português, façamo-lo no Douro vinhateiro. Escolhemos a Quinta da Avessada, em Favaios, freguesia de Alijó.
No passado dia dez de dezembro, as nossas formadoras de tricot, a Ana e a Ana, foram fiandeiras por um dia. Assim se chamava a oficina promovida pelo projeto científico Medcrafts desenvolvido na Universidade do Minho - Ser fiandeira por um dia.